Esse espaço é destinado ao diálogo entre a FAJOPA e todos aqueles que tem interesse na formação musical
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Não deixe seu sonho para depois
Caríssimos,
Sou Paula Molinari, coordenadora musical da Faculdade João Paulo II em Marília e gostaria de conversar sobre a profissão do músico no Brasil.
Quero muito falar de como podemos organizar nossa vida para que possamos viver daquilo que amamos fazer. O trabalho não deve ser sacrifício, escravidão. O trabalho pode e deve ser fonte de alegria. Em geral, temos muita vontade de vivermos de música e uma dúvida paira na cabeça de muitos: como vou sobreviver economicamente?
É sobre isso que falaremos.
Para viver de música é necessário muita disciplina, muita responsabilidade e comprometimento. O músico em nosso país tem duas importantes atuações: a de músico performer, ou chamado de músico prático e a de músico docente. Na maioria dos casos o músico torna-se docente depois de já dedicar-se ao fazer musical. Os bons docentes escolheram a profissão por desejarem que outros possam também mergulhar na música com comprometimento e seriedade porém, há uma outra realidade onde o músico torna-se docente por necessidade.
Aqui temos nosso primeiro grande problema. O músico performer que torna-se docente por necessidade encara a docência como um fazer menor. É como se ele não tivesse capacidade de fazer o que desejou e foi parar na sala de aula - como se a sala de aula fosse um lugar de menor prestígio. Isso foi e ainda é o grande problema de nossa realidade musical. Insatisfeito, esse profissional deixa um legado de tristeza, desesperança e acaba por não contribuir com a sociedade e com a real situação daqueles que tem sua vida dedicada a isso. Acaba, por falta de conhecimento didático e pedagógico específico, refletindo em seus alunos a sua própria sensação de incapacidade. Vemos pessoas dizendo que não nasceram para estudar música porque seus professores as fizeram acreditar que são incapazes quando, na verdade, faltavam meios para esse professor exercer a docência.
Falta-nos tanto para uma visão crítica equilibrada de tantos assuntos mais corriqueiros quanto mais para uma crítica equilibrada sobre o fazer de um professor de música!
Com o sancionamento da lei que obriga o retorno da música às escolas nossa situação fica ainda mais crítica ao pensarmos que apreciadores de música estão assumindo as salas de aula sem respaldo para isso e, o pior, matando sua própria relação com o prazer que a música propicia porque, ao enfrentarem as salas de aula, deparam-se com a dura realidade da falta de meios de enfrentar a docência. Antes de buscarem ajuda e profissionalização, muitos desistem e, saem gritando aos quatro cantos um panorama formado em seu universo pessoal.
Somos um povo musical por excelência!!!
A sala de aula de música, seja ela de instrumento ou de musicalização é um lugar onde podemos encontrar o quanto somos privilegiados em viver num país onde a música está em todos os lugares. Um país onde aprendemos a criar uma escuta seletiva para sobreviver aos ruídos que nos circundam e , com isso, a desenvolver uma das habilidades primeiras de um ouvido musical. Não é somente na música erudita que encontramos fonte rica de saberes, na nossa expressão mais popular nos singularizamos com a riqueza de nossos instrumentos feitos em casa, com as melodias modais, herança dos trovadores ibéricos, os cordéis e, até mesmo na maneira musical de dizer BOM DIA, nos singularizamos!
Precisamos aproveitar o momento em que a lei faz-se cumprir para uma profissionalização que seja feita buscando a excelência e a realização do sonho de todo músico: que os nossos ouvintes saibam apreciar e valorizar a música. Através da mudança dessas novas gerações na relação com a música é que teremos teatros mais lotados, bares com música ao vivo bem executada, igrejas com o louvor digno da mais genuína devoção e, ao final, uma sociedade mais privilegiada.
O músico que dedicar-se somente ao fazer musical sem a docência terá seu público e o docente precisa ser, antes de tudo um músico performer para entender o que é fazer música para valorizar o que é ensinar música.
Assim, na Faculdade João Paulo II, começamos nossas atividades de promoção, diálogo e implantação do curso de música - licenciatura e bacharelado - com o firme propósito de contribuir para o crescimento do ser humano através da música.
Escolas do ensino formal com música levarão ao despertar das aptidões musicais dos jovens que, por sua vez, buscarão as escolas de música que, seguindo o fluxo natural, receberão mais alunos, com mais alunos mais profissionais serão necessários, com mais profissionais docentes bem preparados mais ouvintes especializados e com isso, maior busca pela arte, pela música de qualidade e, o melhor de tudo: valorizada.
Converse conosco. Expresse sua opinião!!!
Para despedir-me repito a frase de minha querida professora de arranjo vocal, a arranjadora Célia Vaz:
Um grande abraço em Mi Bemol!
Paula Molinari
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Boa tarde Paula.
ResponderExcluirVai abrir curso de música na FAJOPA?
Obrigado.